04 Abr 2010
Vejamos os 13 critérios que permitem entender o que pensam os examinadores durante a cor-
reção de redações em situações de concurso.
1.Condenado antes mesmo de ser lido:
*Caligrafia ruim ou ilegível;
*Fuga ao gênero proposto (escrever um poema ou narrativa quando o que se pede é uma dis-
sertação, por exemplo);
*Uso de primeira pessoa do singular ou plural;
*Textos que tentam obter extremo sucesso com o risco do extremo fracasso, valendo-se de re-
dações em verso, jogos visuais com palavras ou frases, piadinhas, onomatopeias, desenhos, pá-
gina em branco etc;
*Colagem de textos alheios, em que o candidato copia e mistura em certa ordem frases pinça-
das da coletânia, misturando-as com suas próprias frases.
2.O que a banca considera ser uma boa redação:
Para obter um ótimo desempenho, o candidato deve pôr em jogo em seu texto os seguintes in-
gredientes, que são considerados por bancas de correção:
*Obediência escrita ao gênero;
*Obediência escrita ao tema;
*Discurso em norma culta, sem lapsos ou equívocos;
*Texto coeso, resultante de argumentação bem colocada e encerrada.
3.Cuidado para não fugir do tema:
Fugir ao tema ou à proposta é pecado capital ao escrever dissertações. Desviar do assunto
central é um risco que pode custa caro.
- Se o tema é o jovem e a política, não se pode ficar falando sobre outros aspectos do jovem.
Fazer digavações ou extrapolar o tema é aceitável - diz fábio Itasiki, professor do cursinho Univer-
sitário.
4.Você não pode discordar do tema proposto...
Todo tema abordado em provas de redação de concursos vestibulares é, por natureza, polê-
mico. O próprio fato de escrever um texto para expor um raciocínio implica a existência de pensa-
mento de oposição a ele. Implica diálogo. Os vestibulares não só aceitam o debate em torno de
questões polêmicas, como também esperam dos vestibulando que se posicionem diante dos te-
mas propostos.
- O texto é argumentativo, portanto o aluno pode expressar sua opinião, mas deve tomar cui-
dado para que o direcionamento seja o mais abrangente possível e não adote uma visão sectária.
5.... mas sem preconceitos:
Ser racista, machista, homofóbico ou mesmo defender a morte cruel de bandidos é considera-
do inaceitável e, portanto, fadado a receber notas mínimas. Como os corretores hoje têm como
limites os direitos humanos e as propostas de intervenção social, pode-se dizer que se espera
que o autor seja eticamente correto.
Ainda que as opiniões diversas sejam aceitas pelas bancas examinadoras, há um limite claro
respeitado por todos os vestibulares importantes do país e também pelo Enem(Exame Nacional
do Ensino Médio): os direitos humanos.
Qualquer assunto em pauta consiste em um terreno fértil para que o autor se posicione e
mostre opiniões. A opinião tende a se esparramar pelo texto por meio de frases de efeito e por
conceitos às vezes lançados ao leitor quase despercebidamente, mas que afetam a tese do tex-
to.
- Às vezes a pessoa nem percebe que suas opiniões são fundamentadas em preconceitos,
como dizer que homens são mais aptos para determinadas tarefas, por exemplo.
Evitar preconceitos significa também considerar a perspectiva contrária à sua.
-Não há perigo em levantar uma bandeira, se levar em conta o ponto de vista do outro.
6.Evite a causa religiosa ou política:
O aluno precisa ter em vista que o leitor de sua redação se considera um leitor universal, e
não cabe argumentar por meio de dogmas, como se fosse converter alguém em trinta linhas.
Leitor universal: usar argumentos pressupõe o conhecimento dos valores do auditório - ao
religioso, um argumento com valores religiosos pode ser adequado, mas não a um ateu; como
numa prova de redação não se conhece o interlocutos, adotam-se como esfera de referência va-
lores consensuais. Daí ser complicado argumentar a favor de causas controversas.
Evite o proselitismo religioso. Os avaliadores tendem a considerar que não se deve usar o
espaço da dissertação como plataforma de pregação.
7.Evite o texto pré-moldado:
O texto pré-moldado - argumentação padronizada, usada independentemente do tema da pro-
va - é uma forma piorada de fuga ao tema proposto pelo concurso de redação.
O principal critério é a correspondência entre texto e tema. O candidato pode cumprir o que
lhe foi pedido, só tangenciar ou fugir ao tema. Neste último caso, os textos não são sequer consi-
derados.
8.A erudição deslocada:
Da tentativa de fazer um texto criativo com conexões inéditas, podem nascer textos desconec-
tados da ideia central.
- É muito comum o aluno escrever sobre coisas que estão apenas relacionadas ao tema, mas
que fogem do foco em si, somente para demonstrar erudição.
acreditar que a erudição pode render notas melhores é equívoco comum. escrever bonito não basta. Os corretores sentem de longe o cheiro da erudição postiça.
- O aluno usa chavões, tenta ser parnasiano, quer mostrar que tem conteúdo, que é especia-
lista no assunto. Quando na verdade o que é observado pela banca é a capacidade de argumen-
tar e a clareza.
9.Citação em prova com coletânea de textos:
O uso, no corpo de redação, de citações dos textos de apoio que integram a coletânea é uma
dúvida recorrente dos candidatos. A citação funciona como um argumento de autoridade útil ao
desenvolvimento do raciocínio do candidato. Mas é preciso cuidado para não tornar o seu texto
uma mera cópia, por uso inadequedo das citações, e com isso cair na armadilha de figir ao tema
proposto pela prova.
O segundo problema na atribuição de fontes é a própria autoridade dos personagens citados.
É preciso atribuir a alguém um juízo de autoridade sobre o assunto que ele tenha, de fato, legi-
timidade para emitir. Se o enunciado de prova usa uma letra de música de Chico Buarque para
ilustrar um tema, por exemplo, pode constituir equívoco citar o compositor em frases como: "Se-
gundo Chico Buarque, a violência urbana aumentou".
Fazer uma citação coerente dentro do assunto é válida, mas é sempre condenável usar cita-ções para ficar tangenciando o tema em vez de abordá-lo de fato.
10.Seja criativo, sem errar a mão: ~
Para os especialistas, ser imaginativo não é necessariamente ser transgressivo, ou quebrar
todos os padrões e reinventar a pólvora. Para surpreender, o candidato deve fazer algo criativo
dentro dos limites propostos.
Mudar o eixo em que as coisas são apresentadas está no cerne de todo texto criativo. O ra-
ciocínio comum, sequencial, funciona dentro de um quadro de referências aparente e familiar. O
inventivo diz algo além do que está na superfície, asscia o domínio inicial de um problema a ou-
tro quadro de referências.
Por isso, podem ser de ajuda algumas descobertas que a literatura, a ciência da linguagem,
a psicologia e a neurociência fizeram recentemente com relação à criatividade:
A - Criatividade é artesenato, não um dom. Ninguém nasce criativo, mas é possível exerci-
tar a habilidade.
B - O estímulo primário para um texto criativo é a capacidade de seus autor abastecer-se de informações das mais diversas fontes e dos mais variados tipos, e ter a disciplina de ver sempre que bicho dá o ato de conectá-las.
C - Uma das qualidades criativas de um texto é inserir uma informação antiga (só obtida pelo hábito de consumir e colecionar informações consistentes) em um contexto novo, aplicada a um
problema atual.
Um texto criativo tranpõe de uma forma inesperada uma qualidade humana para outra rea-
lidade. Essa tradução, em geral, é feita de duas maneiras:
a)Ao recombinar coisas já existentes em outros contextos, dando-lhes novas finalidades;
b)ao modificar a relação habitual que há entre duas ou mais coisas ou seres, no momento em que se relacionam.
11.Saibar interpretar a proposta da prova:
A primeira dificuldade oferecida pelo enunciado da prova de redação é anterior ao ato de es-
crever. É preciso, antes de tudo, observar se o tema que será objeto de discussão na redação
foi realmente compreendido, para depois pensar em expandir horizontes.
A prova de redação não é só uma prova de escrita, mas também de leitura. Não é perda de tempo o tempo gasto para entender a proposta. Ela define para onde se vai.
A questão pode depender do foco. Uma prova pode, por exemplo, associar versos de Fernando Pessoa ("Tudo vale a pena se a almanão é pequena") à solicitação de um texto, a ser feito pelo
candidato, que relacione a citação à vida política brasileira. Se o candidato focalizar apenas a ex-
pressão "tudo vale a pena", pode fugir ao tema proposto (tudo vale se não se olha para o mundo com olhar mesquinho, mas com visão de longo prazo) e partir para digressões (desenvolvendo, por exemplo, a ideia de que "o homem se srrepende do que faz, por isso o político não pode dei-
xar de fazer, mesmo que enfrente impopularidade").
Para não perder o foco, o aluno precisa encontrar bem seu propósito inicial, ter clareza em seu objetivo. Há pelo menos duas estratégias indicadas pelos professores para que os candidatos consigam delimitar a área em que poderão atuar na arguição.
1)Treinar a capacidade de detectar o tema que está por trás de um texto qualquer. desta for-
ma,valorizar mais a coletânea de textos propostos pelo vestibular para, a partir dele, encontrar o
cerne da questão sobre a qual discorrerá.
Deve-se tentar ler os textos tirando deles o tema central.
2)transformar o tema proposto em uma pergunta explícita que deve nortear a redação. O aluno pode fazer uma pergunta para si, a partir da leitura da coletânea e detecção do tema geral, para que seja respondida na sua redação, ajudando-o a focar os argumentos. Esse questionamento
não precisa aparecer explicitamente.
12.Lendo a proposta de redação:
*Sublinhe as palavras com maior carga de significado no enunciado;
*Faça traduções mentais no enunciado;
*Procure as informações do enunciado que revelam uma perspectiva particular sobre o tema;
*Substitua palavras complexas por equivalentes mais familiares;
*Busque reconhecer os vínculos internos na sequência de frases;
*Procure perceber se há - e percebendo, descarte - alguma marca no texto que remata a ou-
tras questões que não a abordada;
*Ative todo conhecimento anterior que você lembre sobre o tema;
*Elabore, então, uma lista de questões que faça sentido abordar;
*Se o enunciado for de algum modo complexo para você, divida as unidades de significado e
as interprete, uma a uma;
*Qual é, afinal, o centro da questão apresentada?
13.Cuidado ao "inovar" na forma:
Querer surpreender os corretores com um texto autoral com base na inovação da forma e na
estrutura do texto, pode ser vista como fuga ao tema. É preciso cuidado para, por falta de fami-
liaridade com recursos da linguagem e da literatura, fugir à questão proposta por meio da forma. deve-se respeitar o gênero. Se o redator não se sente seguro com o modelo dissertativo, deve
evitar ousadias que se revelem ingênuas. Ao ler "escrever texto em prosa", já houve candidato que criou texto com ciálogos, entendendo "prosa" como sinônimo de "conversa". Há o caso, hoje
mítico, da redação sobre o tempo, em que o candidato preencheu as linhas com a expressão
"tic-tac, tic-tac".(Compilação da Revista Língua, p. 8)
segunda-feira, 3 de maio de 2010
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