terça-feira, 4 de maio de 2010

Os pecados em narrativas

06 Abr 2010

No afã de criar um enredo original (o que, exatamente, seria isso?), o autor se perde em situa-
ções que tendem ao inverossímil, ao impossível, resolvendo os conflitos sem que haja a menor ex-
plicação razoável, plausível, para tal resolução. Isso acontece principalmente ao final dos textos,
em que se pretende uma surpresa ao leitor. Alguém poderia objetar que textos marcados pelo realismo fantástico carregam essa marca, mas há de se lembrar, então, que uma narrativa tem de ter um percurso que justifique a resolução de seu conflito. Tirar um coelho da cartola para resolver
uma situação criada nem sempre dá certo, pode acreditar.
Ainda no quesito "originalidade", finais como "era tudo um sonho" invariavelmente dão ao autor
do texto a sensação de que há uma grande sacada como arremate do problemas. Nada mais falso. Todo mundo já viu esse filme e ninguém mais acorda surpreso com ele em termos de narrativas.
A uniformidade no tempo em que transcorre a ação é sempre um trabalho espinhoso, sem dúvida. Muitas vezes se nota como textos que usam e abusam de flashbacks se perdem no trata-
mento do tempo verbal, o que acaba por criar passagens incoerentes, mesclando presente e pas-
sado sem que haja a mínima possibilidade dessa combinação.
A progressão das histórias, ou seja, a cadência com que se levam os fatos de um enredo, sem-
pre é algo também delicado. Muito comum é o autor correr com a ação quando percebe, por exem-
plo, que deu muito mais atenção a elementos marginais e precisa se centrar naquilo que é impor-
tante, mas não tem nem muito espaço nem tempo para valorizar o que realmente era relevante.
Assim, o leitor nota facilmente que houve uma acelerada no transcorrer dos fatos - e o texto perde o ritmo.

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